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Arma nem de Brinquedo

ARMAS DE BRINQUEDO

Brincando com coisa séria. É hora de refletir e conscientizar pais e crianças!

“Tenho três filhos e nunca ofereci a eles armas de brinquedo. Também oriento aos familiares a não presenteá-los com esse tipo de brinquedo. Acredito que temos de prevenir nossos filhos, desde cedo, sobre os efeitos da violência”. – Jocélio Sousa, funcionário público.

rede_mg_cidadania_03_out_2013“Quando era criança uma das minhas brincadeiras favoritas era a do mocinho e bandido. Brincava com meus amigos com armas de plástico que disparavam bolinhas também de plástico. Sempre encarei aquilo como de fato era, uma brincadeira. Cresci e sou contra qualquer tipo de violência, no entanto, acho que o problema não é a arma de brinquedo, mas a orientação que a criança recebe em casa. Contudo, entendo a comoção que isso gera atualmente. Algumas armas são verdadeiras réplicas das de verdade, diferentes das que eu brincava. O contexto urbano hoje também é muito diferente de décadas atrás. Ainda não tenho filhos, mas certamente, vou pensar com mais calma sobre essa questão. Os tempos mudaram, para o bem e para o mal” – Marcelo Alves, engenheiro civil.

Os dois pontos de vistas acima traduzem o dilema da sociedade sobre o tema. Afinal, armas de brinquedo farão da criança um adulto violento? Uma citação da psicóloga Rosely Sayão explica que há uma ânsia de demonizar as armas de brinquedo e até mesmo videogames como indutores de violência. Contudo, segundo a psicóloga, deve existir uma reflexão sobre o comportamento dos pais perante os filhos.

O que se discute é até que ponto esse tipo de brinquedo influencia o desenvolvimento da personalidade das crianças, deixando-as mais agressivas. Muitos educadores e psicólogos dizem que o estímulo das armas combinado com outros fatores – como a convivência em um ambiente agressivo – pode levar a comportamentos violentos.

Em setembro, uma lei sancionada no Distrito Federal reacendeu o debate que já vem acontecendo acaloradamente nos últimos anos. A medida impede a fabricação, comercialização e distribuição das peças semelhantes ou não aos armamentos convencionais. Estão inclusas as que disparam balas, bolas, espuma, luz, laser e assemelhados, as que produzam sons ou as que projetam quaisquer substâncias. A aprovação da norma repercutiu nacionalmente e também fora do Brasil, com reportagem no jornal britânico The Guardian.

Segundo reportagem do jornal Correio Braziliense, a medida, que também divide opiniões entre os brasilienses, deve ser regulamentada em até 120 dias pelo governo local. A partir daí, os comerciantes terão seis meses para acabar com os estoques. As lojas que insistirem em desrespeitar a lei receberão advertências por escrito. As multas variam entre R$ 5 mil e R$ 100 mil, além de sanções, como suspensão de atividades do comércio por 30 dias ou cassação da licença de funcionamento.

No Espírito Santo, o deputado Hércules Silveira (PMDB) apresentou projeto na Assembleia Legislativa que também proíbe a fabricação e a venda de armas de brinquedo que simulem as originais em todo o Estado. Silveira diz que está preocupado com o grande número de acidentes causados por arma de fogo. “Vamos acabar com o problema antes que ele aconteça. Se a criança não tiver uma arma de brinquedo, entenderá de forma mais clara que não se pode brincar com esse tipo de objeto”.

EM FORTALEZA

Já tramita na Câmara Municipal um projeto do vereador Eulógio Neto (PSC) que pretende proibir, em Fortaleza, a fabricação e a comercialização de “brinquedos que sejam réplicas ou simulacros de armas de fogo de qualquer natureza”. O projeto também prevê punições para os estabelecimentos que desobedecerem à lei, tais como: advertências pro escrito; multa que vai de R$ 5.000 a R$ 100.000; suspensão da atividade por 30 dias e cassação da licença de funcionamento.

Em sua justificativa, o parlamentar aponta que “o uso de uma arma de brinquedo por uma criança é uma afronta à civilização, que há milhares de anos ensina que a violência gera violência, e que por isso se estabeleceu o Estado, a Lei e a Justiça para solucionar as diferenças e impor freios à violência”.

Para Eulógio Neto, o processo de educar associa também o ato do brincar, mas com a utilização de criativos brinquedos capazes de ajudar crianças a desenvolver habilidades e princípios, dentro de novos valores e atitudes de paz e solidariedade, e não com objetos que sejam réplicas ou simulacros de armas de fogo e, em consequência, despertem e consolidem, nas crianças, sentimentos de agressividade e violência.

O projeto aguarda parecer da Comissão de Legislação da Câmara. Depois segue para o plenário e, se aprovado, irá para a sanção ou veto do prefeito Roberto Cláudio (sem partido).

O vereador assinalou no projeto que pesquisas nacionais vêm demonstrando que a promoção da cultura de paz, por meio do ensino da empatia, habilidades de vida e habilidades de resolução de problemas, é instrumento capaz de influir na prevenção e reduzir os índices de agressões e crimes violentos. Atestando assim, justifica Eulógio, o acerto de medidas constantes na proposição, direcionadas à construção de novas condutas capazes de contribuir com a redução da violência. “Desse modo, campanhas de desarmamento infantil e promoção da cultura de paz são oportunidades de ensinar alternativas saudáveis para as crianças se habilitarem à capacidade de resolver seus problemas sem fazer uso da violência”.

Na justificativa do projeto, o vereador cita um princípio da Unesco que deve sustentar as ações a serem desenvolvidas para enfrentar o quadro da violência: “como as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas”.

*Foto: Rede MG Cidadania 03 outubro 2013

 

Publicado no Jornal Gazeta do Povo em 02 outubro de 2013

Arma não é brinquedo.

Nossa humanidade, ao logo de milênio de historia, construiu em nosso Planeta Terra uma “Cultura de Violência” e uma linguagem bélica que se perpetua no processo civilizatório e no momento tecnológico dos dias atuais. Esta cultura é difundida, por inúmeras instâncias da sociedade: os meios de comunicação, a escola, a família, as instituições religiosas, os partidos políticos, os clubes, os sindicatos, etc. Existe um currículo oculto que educa para violência. Sempre fizemos guerras e homenageamos os “heróis guerreiros”, fazemos estátuas deles, colocamos nomes em ruas e praças, criamos personagens guerreiros para histórias infantis, desenhos animados, vídeo games, camisetas, e assim passamos de pai para filho o paradigma da guerra, e de que os conflitos só podem ser resolvidos através das “guerras libertadoras” onde excluímos os opressores. Nossas cantigas de rodas estão repletas de letras que justificam essa violência – escravos de jo jogavam caxangá…tira põe e deixar ficar, guerreiros com guerreiros fazem zig, zig zá, ou marcha soldado cabeça de papel quem não marchar direito vai prezo no quartel; nana nenê que a cuca (o mostro) vem pegar, papai foi na roça e mamãe no canavia, “bem vindo ao mundo violento” filho! Assim com o leite materno vamos alimentando esta cultura milenar. Crescendo um pouco, e nos dias atuais, temos o pica-pau, tom e jerry, entre tantos outros sempre resolvendo seus conflitos com armas e muita munição.

logo_lei_9188_2003De acordo com o estudo do Sipri (Instituto de Pesquisa para Paz de Estocolmo – Sipri, na sigla em inglês), em 2009 os gastos militares de todo o mundo subiram para cerca de US$ 1,53 trilhão, 6% em relação ao ano anterior, e 49% em relação a 2000.São U$ 48 mil dólares por segundo.

Em episódio internacional recente, o pais que mais investe em gastos bélicos no Planeta, xerifes do mundo, propõe invadir outro pais em guerra civil. “Vamos fazer uma guerra para acabar com a guerra.” O outro país que está vendendo armas para um dos lados do conflito, propõe uma solução diplomática, afinal o contrato de venda de armas (da indústria bélica deles) é anterior ao Tratado Internacional de Comercio de Armas, assinado só em 2013 D.C. pelos países da ONU, e em processo de ratificação nestes, e que proibirá definitivamente esta pratica de venda de armas para países em guerras. Hoje legal mas imoral.

Afinal ao logo de milênios sempre foi assim, os povos se libertaram de seus opressores através das lutas armadas. É o ser humano geneticamente violento? O Manifesto de Sevilha (Unesco/89) diz que não, que são os condicionamentos históricos e culturais que nos trazem a estas manifestações de violência.

A história de libertação na Índia é “quebra de paradigma”. Gandhi afirmou “A humanidade somente acabará com a violência através da não-violência”. Somente a não-violência é a alternativa e a superação da violência, uma vez que ela se situa do âmbito totalmente exterior à violência. Não cooperar com a violência, praticar a desobediência civil foram suas estratégias.

Porque então, ao invés de incentivarmos nossas crinaças a brincarem com armas de fogo (de plástico) nós adultos possamos convida-las para “brincarem de salvar o Planeta”.

Vamos brincar de buscar a sustentabilidade e ajudar a diminuir o aquecimento global. Precisamos de “novos heróis” mais inteligentes, menos violentos, mais inovadores nas ações. Não conseguiremos sustentabilidade com armas. Nossos inimigos são nossos hábitos atuais de consumo. Não protegeremos nossa civilização investindo na indústria bélica.

O jornalista André Trigueiro em visita recente a Londrina, afirmou em seu programa semanal Mundo Sustentável: “Londrina tangibilizou a paz. Não há mundo sustentável sem Paz.”

O Movimento pela Paz e não-violência Londrina Pazeando (2000), e o COMPAZ Conselho Municipal de Cultura de Paz  (2008), empenhados em Educar para Paz, e não cooperar com a violência, em 2010 propõe aos lojistas com apoio da ACIL Associação Comercial e Industrial de Londrina, da Câmara, e da Prefeitura através de sua secretaria de fazenda (fiscalização) fazer valer a Lei Municipal 9.188/2003, que proíbe a venda de armas de brinquedos. Em 2011 a Lei é aprimorada e é definido que arma de brinquedo é o brinquedo que imite uma arma de fogo (cano, gatilho) e que dispare agua, luzinha, barulhinho, espuminha, e chicletinho. Também é criado um selo para as lojas que cumprem a Lei e que “solicitem” (através de requerimento) para Prefeitura e Câmara o SELO.

A Lei “reflexiva e educativa” tem hoje 40 lojas com selo, desde pequenos bazares em bairros e também rede nacionais e interacionais, são praticamente todas que vendem brinquedos na cidade. Tem o apoio dos veículos de comunicação, de professores, educadores, pais, ou seja uma grande adesão. Se Nós Podemos em Londrina, podemos no Brasil e no Mundo viver esta experiência.

Eng. Civil Luis Claudio Galhardi
Coordenador do Londrina Pazeando
Membro fundador da Rede Desarma Brasil
Secretário do COMPAZ

 

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