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Saiba como foi o 4º debate de Mídia de Paz

Momento final do Debate "Mídia de Paz"

Saiba como foi o 4º debate de Mídia de Paz

Pelo quarto ano seguido, em 2011, a ONG Londrina Pazeando e COMPAZ –Conselho Municipal de Cultura de Paz, além de responsáveis pelo site Mídia da Paz, reuniram profissionais de Londrina para discutir programas policiais e uma imprensa mais responsável.

Desta vez o debate foi mediado pelo professor Reinaldo Zanardi, coordenador do curso de Jornalismo da Unopar. A discussão foi realizada no auditório da Unopar (campus CCESA), no dia 20 de setembro.

O evento teve a participação da vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina Carina Paccola; dos publicitários e membros da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina) Vitor Gouveia e Spartacco Puccia Filho, além do gerente comercial da TV Tarobá Maurício Diniz.

Apesar dos debatedores concordarem que é preciso qualificar a cobertura policial, fazendo-a romper preconceitos e ir mais fundo nos assuntos, contextualizando-os, em vez de produzir e veicular matérias sensacionalistas, a boa notícia está no fato de que caiu a audiência dos programas policiais na região de Londrina.

O índice, que já foi de 55%, hoje está em 32%, de acordo com os convidados do evento. Leia, abaixo, os principais trechos do 4º Debate sobre Mídia da Paz:

Carina Paccola – vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina
“Pesquisa mais recente de como a mídia divulga os casos de violência contra a mulher aponta: das 1506 notícias apresentadas em 16 jornais impressos, as matérias apresentam uma cobertura individualizada. A maioria não questiona o Estado. A cobertura é factual e sem análise.

- apenas 13% das matérias questionam o papel do Estado e fazem um monitoramento do poder público;

- mais de 80% das reportagens não oferecem um olhar crítico;

- mais de 86% das matérias não mencionam a existência da legislação específica de proteção à mulher (Lei Maria da Penha).

As fontes em sua maioria são a Polícia e a cobertura beira o senscaionalismo”. Falta qualificação do debate, ouvindo especialistas; a população, quando é ouvida, cita que a violência que aparece na TV é maior do que a vivida no dia-a-dia.

Vitor Gouveia, publicitário e integrante da APP-Londrina (Associação dos Profissionais da Propaganda)

“Tem audiência os programas do chamado “mundo cão” porque estão alinhados com a realidade. Eles incitam a violência. Em muitos casos as crianças estão assistindo e não deveria ter uma coisa dessas. Violência, sexo e escândalo. Combinações que dão ibope. Ao anunciar em programa violento, o anunciante alinha sua marca. Pode ser como patrocinador (quando se diz: “oferecimento: empresa tal); com comercial avulso no intervalo do programa e, de forma mais marcante, por meio do merchandising, quando você alinha com a imagem do produto.”

Spartacco Puccia Filho, publicitário e integrante da APP-Londrina (Associação dos Profissionais da Propaganda)

“A agência de publicidade e propaganda tem como meta construir, posicionar e manter a marca do cliente. A associação da marca à programação é importante. Acho forte dizer “programas mundo cão”. O programa Tempo Quente (TV Tarobá – Rede Bandeirantes), por exemplo, tem 7% de audiência. O Balanço Geral, da RIC (Record), tem 5% e o jornal da RPC (Rede Paranaense de Comunicação, da TV Globo) tem 17%.”

“A agência tem um critério para fazer plano de comunicação da empresa, mas ela também tem seu próprio critério. Hoje existe fila de espera para abrir espaço nos programas porque você não pode ter dois clientes do mesmo segmento. Então a disputa é forte e o resultado, principalmente o testemunhal, é grande. Temos clientes que abandonaram outras forma de comunicação e só usam o segmento testemunhal. E qual a influência do merchandising na marca? Nem sempre se tem pesquisa qualificada.”

Maurício Diniz – gerente comercial da TV Tarobá (Bandeirantes)

“Estou há 20 anos na área de comunicação e em 1991, recordo que o programa policial com o Carlos Camargo, na TV Tarobá, tinha audiência de 31%. Na Tarobá entendemos o policial como jornalismo. A Tribuna da Massa, que é o programa da casa, tem uma boa audiência. Mas os três telejornais diários da Tarobá também trazem audiência. Só o Jornal da Tarobá tem 11% de espectadores.”

Luis Cláudio Galhardi – coordenador da ONG Londrina Pazeando e membro do COMPAZ (Conselho Municipal da Cultura da Paz)

“Como integrante da ONG Londrina Pazeando e membro do COMPAZ (Conselho Municipal da Cultura da Paz) fizemos um pedido de patrocínio, há três anos atrás, para uma ótica que tinha acabado de chegar. E a gerente da ótica disse que a empresa cogitava não vir a Londrina porque a cidade era violenta.”

Liberaci Pascueto, professora da Unopar: “Qual o perfil do público que assiste a esses programas policiais?”

Carina Paccola: ”Existe um levantamento que indica que 25% das crianças entre 4 e 17 anos assistem a esses programas.”

Maurício Diniz: “Em canal aberto você atinge todos os públicos, considerando que são mais de 11 emissoras de rádio e 4 geradoras próprias de TV. Então todos os públicos são atingidos. No público A e B a audiência é menor, mas também existe.”

Spartacco Puccia: “A classe A e B tem mais representatividade na audiência desses programas do que a gente imaginava. Mas é necessário saber que existe diferença entre assistir e consumir o produto anunciado nesse programa. O produto anunciado não é para a classe A/B.”

Arthur, estudante da Unopar: “O que o programa policial quer, além de passar medo?”

Spartacco Puccia: “É difícil você abrir mão de 32% de audiência”.

Maurício Diniz: “Essa audiência geral já foi de 55% anteriormente, há uns dez anos atrás”.

Carina Paccola: “A cobertura policial ainda é preconceituosa. Precisa romper preconceitos e ir mais a fundo”

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